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A ORDEM SOCIAL TEM O PRIMADO DO TRABALHO PARA ALCANÇAR O BEM-ESTAR E A JUSTIÇA SOCIAIS E NÃO O PRIMADO DA AGIOTAGEM INTERNACIONAL |
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PODERES DISTRIBUÍDOS. Segundo o filósofo Slavoj Zizek, a crise marca o fim do “século americano”. Acho que a crise financeira é ao mesmo tempo uma crise do capital e uma crise da geopolítica global: se o termo “capitalismo global” tem algum significado, as duas não podem ser diferenciadas. Mas é predominantemente uma crise do capital em si. A primeira coisa que salta aos olhos nas atuais reações à fusão financeira é que, como o colocou um dos participantes: “Ninguém sabe realmente o que deve fazer”. O motivo é que as expectativas são uma parte do jogo. Como o mercado vai reagir depende não só de quanto as pessoas confiam nas intervenções, mas ainda mais de quanto elas pensam que os outros vão confiar nelas. Não se pode levar em conta os efeitos de suas próprias intervenções. Há muito tempo, o economista John Maynard Keynes apresentou isso lindamente, numa auto-referência, quando comparou o mercado de ações a uma competição tola, cujos participantes têm de escolher entre uma centena de fotos várias garotas bonitas. O vencedor é aquele que escolher as garotas que mais se aproximam da opinião geral. “Não se trata de escolher aquelas que sejam realmente as mais bonitas. Chegamos ao terceiro grau, em que dedicamos nossa inteligência a prever o que a opinião geral espera que seja a opinião geral”, observou Keynes. Assim, somos obrigados a escolher sem ter à nossa disposição o conhecimento que permitiria fazer uma opção qualificada, ou, como colocou o filósofo John Gray: “Somos obrigados a viver como se fossemos livres”. O Nobel de Economia Joseph Stiglitz escreveu recentemente que, embora haja um crescente consenso entre os economistas de que qualquer socorro baseado no plano de Henry Paulson não funcionará, é impossível para os políticos nada fazer. Portanto, diz Stiglitz, talvez devamos rezar para que um acordo elaborado com a mistura tóxica de interesses especiais, políticas econômicas mal orientadas e ideologias de direita que produziram a crise consiga de alguma forma criar um plano de socorro que dê certo ou cujo fracasso não cause muitos danos. Ele está certo, pois os mercados efetivamente se baseiam em crenças (mesmo crenças sobre as crenças dos outros). Por isso, quando a mídia se preocupa sobre como os mercados vão reagir ao socorro é uma pergunta não apenas sobre as conseqüências reais do socorro, mas a respeito da crença dos mercados na eficácia do plano. É por isso que o socorro pode funcionar mesmo que esteja economicamente errado. Mas, como nos dizem repetidamente que a confiança e a crença são fundamentais, também devemos nos perguntar em que medida o aumento das apostas pelo próprio governo em pânico reforça o perigo que tenta combater. É fácil notar a semelhança da linguagem do presidente, George W. Bush, em seus discursos à população americana depois do 11 de setembro e após a crise financeira. Parecem duas versões do mesmo discurso. Nas duas vezes ele evocou a ameaça ao próprio modo de vida americano e a necessidade de ação rápida e decisiva para enfrentar o perigo. Nas duas vezes ele pediu a suspensão parcial dos valores americanos (garantias à liberdade individual, capitalismo de mercado) para salvar esses próprios valores.
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A ORDEM SOCIAL TEM O PRIMADO DO TRABALHO PARA ALCANÇAR O BEM-ESTAR E A JUSTIÇA SOCIAIS E NÃO O PRIMADO DA AGIOTAGEM INTERNACIONAL |
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(CONTINUAÇÃO) A pressão para “fazer alguma coisa” é como a compulsão supersticiosa de fazer algum gesto quando observamos um processo sobre o qual realmente não temos influência. Nossos atos não são muitas vezes esse gesto? O velho ditado “não fale simplesmente, faça alguma coisa!” é uma das coisas mais idiotas que se podem dizer, mesmo medida pelos baixos padrões do senso comum. Talvez tenhamos feito demais ultimamente, intervindo, destruindo o meio ambiente... e seja hora de recuar, pensar e dizer a coisa certa. É verdade, muitas vezes falamos sobre uma coisa em vez de fazê-la mas às vezes também fazemos coisas para evitar conversar e pensar sobre elas. Como jogar rapidamente 700 bilhões de dólares em um problema, em vez de refletir sobre como ele surgiu. Note como a resistência ao projeto de socorro foi formulada em termos de guerra de classes: Wall Street contra Main Street. Por que devemos ajudar os responsáveis (Wall Street) deixar os hipotecados comuns (Main Street) pagar o preço da coisa toda? Não é esse um caso claro do que a teoria econômica chama de “risco moral”, o risco de que alguém se comporte imoralmente porque o seguro, a lei ou algum outro agente o protege contra prejuízos que esse comportamento poderia causar? Os grandes bancos não estão protegidos contra grandes prejuízos e podem guardar os lucros? Não admira que o cineasta Michael Moore tenha escrito uma carta ao público descrevendo o plano de socorro como o roubo do século. Se o plano de socorro é realmente uma medida “socialista” é uma muito peculiar. Uma medida “socialista” cujo principal objetivo não é ajudar os pobres, mas os ricos, não os que pedem empréstimos, mas os que emprestam. “Socializar” o sistema bancário está bem quando serve pra salvar o capitalismo. O socialismo é ruim, exceto quando serve para estabilizar o capitalismo. Veja a simetria com a China atual. Da mesma maneira que os comunistas chineses usam o capitalismo para reforçar seu reinado, os EUA usam medidas “socialistas” para estabilizar o sistema capitalista. As coordenadas da interação do mercado são sempre reguladas por decisões políticas. O verdadeiro dilema, portanto, não é “intervenção do Estado ou não”, mas “que tipo de intervençao do Estado”. E isso é a verdadeira política, a luta para definir as coordenadas básicas apolíticas de nossas vidas. Em 24 de setembro, o candidato republicano à Presidência americana, John McCain, suspendeu a campanha e foi para Washington, proclamando que era hora de pôr de lado as diferenças partidárias. Esse foi realmente um sinal de que estava disposto a pôr fim à política partidária e colocar o país em primeiro lugar para lidar com o verdadeiro problema que afeta a todos, não apenas “nós” contra “eles”? Definitivamente não. Foi mais como um “Mr. McCain vai para Washington”, de um antigo filme de Frank Capra. A política é exatamente a luta para definir esse terreno “neutro”, e por isso a proposta de McCain de superar as fronteiras partidárias é pura política partidária disfarçada de apartidarismo. É por isso que o candidato democrata, Barack Obama, acertou ao recusar o pedido de McCain de adiar o primeiro debate presidencial e indicar que a fusão econômica torna ainda mais urgente um debate político sobre como os dois candidatos vão enfrentar a crise. Nas eleições de 1992, Clinton ganhou com o lema: “É a economia, idiota!” Esta eleição só pode ser vencida pelos democratas se eles passarem a mensagem: “É a economia política, idiota!” Os Estados Unidos não precisam de menos política, precisam de mais política. |
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Pedrão |
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sou gay. |
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