O certo é que, quando lhe foi comunicado, concordou tacitamente com o posicionamento do BNDES, que se recusou a retaliar a Embraer, exigindo pagamentos antecipados de débitos a vencer, como pretendiam os líderes sindicais. A recusa foi embasada na inexistência de disposições contratuais que pudessem ensejar a cobrança antecipada. O presidente, sensatamente, concordou.
No primeiro momento, quando se disse indignado, o presidente Lula, falando como o sindicalista Lula, insinuou que pretendia usar o poder e a força do Estado, para invalidar a decisão da Embraer. Foi o surto de autoritarismo, que felizmente foi contido, ante as ponderações de conselheiros. Esquecia-se, momentaneamente, que o Estado tem poderes limitados de intervenção em empresas privadas.
No entanto, os sindicalistas que lhe foram comunicar as dispensas e pedir providências, dizem que orientados pelo sindicalista Lula, saíram do gabinete do presidente Lula e encetaram o movimento paredista que pretendia impedir o funcionamento da Embraer, inviabilizando a troca de turnos. A reação sindical, no entanto, foi esvaziada, prevalecendo o bom senso dos próprios empregados.
Intimados a comparecer, compulsoriamente, ao gabinete presidencial, para explicar e justificar as dispensas, os dirigentes da Embraer fizeram entender que compareceriam espontaneamente, como deferência. Jamais compulsoriamente. E o fizeram, na quarta feira passada. Demonstraram com números que seria inviável a sobrevivência da empresa, ante o corte de encomendas, notadamente de clientes internacionais, reduzindo drasticamente as receitas.
Tacitamente o presidente Lula concordou com a explanação e deu o assunto por encerado.
Em síntese, encerrou o assunto, sensatamente, como Chefe de Estado e de Governo. Ou seja, atuou o presidente Lula, superado o surto que o fizera regredir e incorporar aquele Lula antigo, o sindicalista.
A diferenciação se torna imperiosa, diante da reverência que o cargo exige.
Alguém já imaginou se os britânicos, como disse um leitor, passassem a tratar a sua rainha somente por Elizabeth, descambando de imediato para Betinha? Ou o presidente Getúlio ser chamado de Gegê, como era tratado na intimidade, nos pampas de São Borja? Daria cadeia, sem dúvida, se alguém se atrevesse a chamar de Castelinho o ditador Castelo Branco. Afinal, era o seu apelido dos tempos de estudante e que perdurou entre os mais íntimos, inclusive colegas generais. |