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EDUARDO |
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Eleições na Venezuela
É bem possível que você não saiba, mas, no próximo domingo, haverá eleições na Venezuela. Os cargos em disputa serão os de governadores e prefeitos de 23 dos 24 estados venezuelanos.
A falta de notícias que se vê por aqui sobre tão importante processo eleitoral num país que, além de extremamente importante no contexto geopolítico latino-americano, ainda por cima é fronteiriço com o nosso, deve-se ao fato de que o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), partido do presidente Hugo Chávez, deverá dar mais uma surra na oposição de direita neste ano, a exemplo do que o chavismo vem fazendo nos últimos dez anos.
Não é por outra razão que a mídia nacional ignora o processo eleitoral venezuelano. E quando noticia, faz como fez a Folha de São Paulo hoje em artigo de seu correspondente em Caracas, Fabiano Maisonnave, um antichavista convicto que vive desancando o presidente da Venezuela em seus relatos na Folha.
Aliás, o texto em pauta curiosamente não traz explícito o nome de Maisonnave, traz apenas suas iniciais ao fim do texto e um genérico “Da Redação” no início. Talvez porque é um texto absolutamente partidário, cheio de opiniões e considerações desairosas sobre o partido de Chávez e sobre o próprio.
Já no título, a matéria começa fazendo proselitismo político pró-oposição ao dizer que “Chávez usa ameaças para tentar conquistar estado mais rico”. A matéria refere-se ao Estado Zulia, governado hoje pelo opositor derrotado por Chávez na eleição presidencial de 2006, Manuel Rosales.
Há, na Venezuela, acusações de corrupção da justiça do país contra ele, inclusive com gravações telefônicas que mostram-no pedindo propina. As mídias daqui e de lá e a oposição de lá dizem que Chávez estaria “ameaçando” o opositor, que disputa a prefeitura de Maracaibo (segunda maior cidade do país). |
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EDUARDO |
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A fúria da Folha – e do resto da sucursal brasileira do grande complexo midiático de direita latino-americano – deve-se ao fato de que, seguindo a tradição venezuelana, está havendo uma guerra de pesquisas no país, em que as pesquisas do lado do governo mostram-no ganhando de lavada o pleito de domingo e as da oposição dobram suas poucas chances no processo – dos dois governos estaduais que a oposição tem hoje, passaria para quatro.
O fato é que, no último dia 15 de novembro, saiu uma pesquisa de um instituto norte-americano cujo histórico de acertos inclui o do referendo revogatório de 2004 na Venezuela. O instituto em questão é o “North American Opinion Research INC” e está sediado em Miami.
Os números do “North American Opinion” mostram que o PSUV deverá conquistar 21 dos 23 governos estaduais (incluindo o Estado Zulia) e 77% das prefeituras. As pesquisas da oposição são baseadas em institutos que erraram, por exemplo, o resultado do referendo revogatório de 2004, sobre o qual faziam sobressair nas mídias daqui e de lá que Chávez seria deposto. Resultado: ele ganhou de lavada.
Você deverá receber pouca informação da mídia corporativa quanto ao processo eleitoral venezuelano. Os resultados mais previsíveis das eleições e dados como a popularidade de 77% detectada pró-Hugo Chávez são indigestos para uma mídia como a nossa, que acha que deve selecionar o que o grande público deve ou não saber e que pensa que pode manipular a realidade quando informar é o único jeito.
Nada disso, porém, muda o fato de que, no próximo domingo, deverá haver novo fortalecimento de mais um regime que causa arrepios aos reacionários conservadores latino-americanos. Mais um golpe no atraso da direita na América depois do duro golpe que foram: 1 – a expressiva vitória de Evo Morales não só na re-confirmação de seu mandato, mas na derrota dos golpistas da oposição durante a tentativa de golpe recém-ocorrida na Bolívia; 2 – a eleição de Barack Obama nos EUA.
Assim, o continente americano vai atropelando o atraso conservador, as oligarquias raciais da região, enfim, um ideário de dor, fome, miséria, ignorância, violência e autoritarismo que vigeu nesta parte do mundo por séculos e séculos até que começamos, finalmente, a reagir. Vida longa, pois, à revolução democrática e humanista que vai varrendo o atraso e a injustiça da face das três Américas. |
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Luiz Henrique Alves Donato |
henrique175@ig.com.br |
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Gregório, li seu comentário e concordo. O que não podemos é basear nossas opiniões somemte na mídia e muito menos considerar os EUA como modelo de democracia e os salvadores do mundo. A eleição de Obama é antagônica à eleição na Venezuela. QUE O OUTRO COMENTARISTA ENTENDA BEM AS DIFERENÇAS NA GEOPOLÍTICA. è verdade que a Venezuela necessita de um amadurecimento político; é salutar o voto ser facultativo, mas indesculpável para a uma Democracia solidificada pensar na reeleição eterna. |
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