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C.U. DO MUNDO COM HEMORRÓIDAS |
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APERTEM OS CINTOS E OS BOLSOS, VAMOS PAGAR A CONTA DELES. O Brasil nasceu por obra e graça do modo de produção capitalista. E abençoado pelas cruzadas genocidas do Vaticano. Mudamos de Pindorama, em que viviam 5 milhões de habitantes no comunismo primitivo, para o capitalismo mercantil dependente. Durante quatro séculos, nos impuseam a produção de mercadorias agrícolas que os europeus precisavam. Muitas delas exóticas, como a cana, café, gado, algodão, pimenta etc. Trouxeram milhões de trabalhadores da África para o trabalho escravo. Nossso querido Jacob Gorender classificou o período de fazenda-plantation, do modo de produzir capitalista nas colônias. No século 20, fizemos nossa revolução industrial, tardia. Adotou-se o modelo de industrialização dependente. Uma tríplice aliança entre o capital estatal, estrangeiro e a nascente burguesia brasileira. As empresas do norte, em sua etapa imperialista, transferiram suas fábricas, máquinas e tecnologia para explorar nossa mão-de-obra, o mercado interno e nossas abundantes matérias–primas. Seguimos dependentes e enviando bilhões de dólares para as matrizes. No meio desse modelo, algumas crises e tentativas de rebelião dos debaixo em 1935, 1946 e 1964. Fomos derrotados. Veio a crise cíclica de 1980. Pusemos a culpa nos militares. Voltamos à democracia representativa. Essa de ter direito apenas a votar. Enquanto isso o modelo capitalista se renovava e entrava na fase de domínio do capital financeiro. Fontes citadas por Luís Nassif estimam que, na década de 1990, a América Latina transferiu para o norte mais de 1 trilhão de dólares, em capital líquido. E eles continuaram acumulando, comendo e bebendo às nossas custas. Agora, estamos em mais uma crise cíclica do capitalismo, em sua fase hegemonizada pelo capital financeiro. Será o fim do capitalismo? Claro que não. Será prolongada e profunda, provavelmente! E como sairão da crise? Alguém tem dúvidas? Ora, usando os mesmos métodos históricos. Só tem um jeito, aumentando a exploração dos trabalhadores do norte, e aumentando as transferências das riquezas do sul para lá.
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PAU NO C.U. DOS PREJUDICADOS |
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A vida só melhora com luta. A economia brasileira não vai quebrar. Não teremos grandes falências, desemprego e fome, como em 1929, porque agora a crise está mais concentrada na esfera financeira. E tem um efeito mais lento e gradual sobre a produção, da qual estava um pouco descolada. Mas o povo brasileiro e a economia brasileira pagarão caro para ajudar os capitalistas do norte a resolver seus problemas. Alguns exemplos. Dos 200 bilhões de dolares de reservas do Brasil, 80 já estão em títulos do tesouro americano. Ou seja, é um empréstimo disfarçado nosso para eles, pobrezinhos! Os outros estão depositados em bancos de Nova York a taxas de 2% ao ano. Enquanto o próprio governo paga a dívida interna a taxas de 15% ao ano, para os mesmos bancos, que têm lá nosso dinheiro. A taxa de câmbio vai necessariamente se ajustar. Aumentarão os preços das coisas importadas e exportadas. As 200 maiores empresas que dominam nosso PIB (Produto Interno Bruto), em sua maioria transnacionais ou associadas a elas, terão agora como prioridade enviar parte de seus lucros para salvar as matrizes e a economia do norte. Isso foi até saudado pelo presidente como algo positivo. Pasmem! Com isso vão diminuir as taxas de investimento na produção. E consequentemente o ritmo do crescimento do PIB se eles precisam aumentar os lucros, para enviar saldos para fora. Certamente vão aumentar o controle dos salários e soltar os preços. Portanto, apertem os cintos e os bolsos, teremos de pagar a conta deles. Isto é o resultado natural de uma economia construída historicamente como dependente do capitalismo central. Claro, não há saídas milagrosas, nem atos populistas do governo que resolvam a situação. Mas a crise põe na ordem do dia que o verdadeiro debate das forças populares deveria ser a necessidade de um novo projeto para o Brasil. Um projeto de soberania nacional e popular, que começasse rompendo com os grilhões da dependência econômica e financeira. Os trabalhadores somente se protegerão das perversidades do capitalismo caso se organizem e façam luta política. O capital nunca cedeu por vontade própria. A melhoria das condições de vida do povo só acontecem como conquistas da luta política. Até lá, cumpriremos nossa sina de sociedade parida “capitalista-dependente”. Seguir enviando nosso trabalho e nossos recursos naturais para resolver os problemas deles. E eles sempre têm capatazes servis e outros capitães–do-mato por aqui. (João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil) |
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