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MOLOCH NO C.U. DO MUNDO COM HEMORRÓIDAS - QUATRO |
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O INSACIÁVEL MOLOCH. IDEOLOGIA. Os detentores da riqueza não escapam da euforia que culmina em crise. O indivíduo racional e maximizador da utilidade é a argamassa do pensamento social dominante. Nas versões eruditas ou nas traduções vulgares, a hipótese da racionalidade individual é um pressuposto metafísico da ideologia dominante, necessária para apoiar a “construção” do mercado como um servo mecanismo capaz de conciliar os planos individuais egoistas dos agentes. Para esse paradigma, a sociedade onde se desenvolve a ação econômica é constituída mediante a agregação dos indivíduos, articulados entre si por nexos externos e não necessários, tais como os que atavam Robinson Crusoe a Sexta-Feira. Essa operação ideológica permite a oposição entre o Estado e Mercado como instâncias antiéticas da vida social. Trata-se de uma operação de “limpeza ideológica” que pretende eliminar as condições em que se trava a luta social, conflito que nasce na “esfera das necessidades”, ou seja, no âmbito das relações de produção e da concorrência, inescapavelmente mediado na esfera política pela intervenção do Estado. Na visão liberal conservadora, Estado e Mercado deixam de ser instâncias da constituição do capitalismo enquanto sistema histórico de relações sociais, políticas e econômicas passam a representar alternativas abstratas de organização da sociedade. Desde o início dos anos 1980, sob a liderança de Ronald Reagan e Margareth Thatcher, foi desaçaimada a ofensiva global ideológica e política contra as práticas do Estado regulador e os direitos criados pelo Estado do Bem-Estar. A “ideologia economicista” que viria conquistar os corações e as mentes de todos estava comprometida com uma idéia fundamental: é preciso libertar as forças criativas da iniciativa privada e permitir a fluência mercantil, na medida do possível desimpedida das restrições impostas pela intervenção estatal. Os liberais de todos os matizes sustentam que o Estado interventor criou uma clientela que, entre outras coisas indevidas, quer garantia de emprego, além de sombra e água fresca, tudo fornecido graciosamente pelo Estado munificente. Garantem os adversários do Estado Social que a insistência em políticas “irracionais e populistas” produziria menos crescimento e mais desemprego a longo prazo, ao contrário do que pretendem os defensores das iniciativas voltadas intencionalmente para contrabalançar os efeitos dos solavancos da economia. Numa versão um pouco mais sofisticada, essa pérola poderia ser assim engastada nos adornos do livre-pensamento: está fadada ao fracasso qualquer proposta de intervenção, em nome da segurança coletiva, que esteja em desacordo com as hipóteses científicas da escolha racional do indivíduo “utilitarista”, cuja ação deve estar apenas limitada por restrições impostas pela escassez de recursos e pelo funcionamento dos mercados competitivos.
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Caçador |
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Esta reportagem deixa claro que o investimento em produção é o melhor caminho para qualquer crise , pois crise quem cria, é quem não trabalha.
Temos de mudar isso por playboy para jambrar..... |
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MOLOCH NO C.U. DO MUNDO COM HEMORRÓIDAS - TRÊS |
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(CONTINUAÇÃO PRIMEIRA) A recomendação para os mercados financeiros, por exemplo, é a desregulamentação e a eliminação de barreiras à entrada e saída de capital-dinheiro nos países, sejam fracos ou fortes, de modo que a taxa de juro possa exprimir, sem distorções, a oferta e a demanda de “poupança” nos espaços integrados da finança mundial. Para os mercados de bens, submeter as empresas à concorrência global, eliminando os resquícios de protecionismo ou quaisquer políticas deliberadas de fomento. E para os mercados de trabalho, a flexibilização e a remoção de cláusulas sociais, ineficientes e danosas para os trabalhadores. Tais reformas devem ser levadas a cabo num ambiente macroeconômico em que a política fiscal esteja encaminhada para uma situação de equilíbrio intertemporal sustentável e a política monetária controlada por um banco central independente. Essas condições macroeconômicas significam que as duas dimensões públicas das economias de mercado a moeda e as finanças do Estado devem ser administradas de forma a não perturbar o funcionamento das forças que sempre reconduzem a economia privada ao equilíbrio de longo prazo. Mas escapou a esse ideário bem-comportado que os fenômenos centrais do capitalismo destravado de nosso tempo são o acirramento da concorrência entre as grandes empresas internacionais, a escalada da financeirização e as rápidas mudanças na geoeconomia mundial. As posições relativas de países, continentes e classes sociais sofrem, já há algum tempo, alterações tão radicais quanto perturbadoras. O economista de Harvard Richard Freeman diz, em artigo recente, que a velha conversa sobre os benefícios do comércio na situação em que os países avançados produzem bens de alta tecnologia com trabalho qualificado enquanto os menos desenvolvidos se dedicam aos setores de mão-de-obra não qualificada “tornou-se obsoleta com a presença da China e da Índia”. Nos anos 90, Paul Krugman, o economista recém-laureado com o Nobel, patrocinou uma cruzada ideológica contra os movimentos antiglobalização que protestavam pela perda dos bons empregos americanos para os trabalhadores produtivistas da Ásia. Em artigo recente sobre os efeitos da migração de empresas para a China, Krugman foi obrigado a reconsiderar seus pontos de vista. Os moradores de Flitch, no estado de Michigan, perderam o emprego na fábrica de autopeças fechada sob pressão da concorrência chinesa. Indagado sobre o destino dos desempregados, o economista Gregory Mankiw respondeu candidamente: “As pessoas têm de se mover”. Afirmou isso depois de ter proclamado a necessidade de se ministrar um curso de economia no ensino médio para que o público em geral possa ter uma visão mais acurada da globalização. A internacionalização da economia é um fenômeno constitutivo do capitalismo, o que não significa que haja uma única maneira de lidarmos com os processos que a constituem. É fácil, hoje em dia, confundir as limitações crescentes impostas ao Estado-nação com a construção de um espaço de livre circulação dos indivíduos, promovido pelo movimento desembaraçado de mercadorias e capitais. |
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