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SALVAÇÃO DE MORIBUNDOS NO C.U. DO MUNDO QUIXOTESCO COM HEMORRÓIDAS DA CANALHA IMUTÁVEL DONA DO PODER
CAPITALISMO EM CRISE. A recente crise do mercado financeiro colocou em xeque todo o sistema mundial das finanças. Mostrou que a grandeza das nações, as montanhas de dinheiro acumulado e as propaladas vantagens da globalização têm duas vias. Podem ser boas ou más. Tudo depende da forma como são concretizadas. A crise teve um começo certo no conceito e nas transformações do crédito na época pós-moderna. Crédito vem de crer. Do ponto de vista econômico, significa receber um bem imediatamente com a condição de pagá-lo no futuro. Acontece que esta engenhosa criatividade do ser humano para facilitar suas transações passou a ser um negócio em si mesmo. O que era instrumental para se atingir um fim transformou-se no próprio fim. E passou a constituir o conteúdo de diferentes institutos jurídicos e econômicos, que se denominaram “derivativos do crédito”. De início foram apenas os juros e a correção monetária que se calculam entre a disponibilidade do bem e o seu efetivo pagamento. Porém a extrema criatividade dos negócios internacionais, embalados pela especulação sem limites do ganho fácil, multiplicaram estas possibilidades. Formaram-se então os fundos de hedge, que são garantias do risco das operações financeiras. Mas esta própria garantia é objeto de especulação, pois se criaram muitas instituições para prestá-la mediante compensação financeira. Forma-se então a costumeira ciranda: um fator econômico se liga a outro, formando uma cadeia artificial e virtual, sem existência concreta, mas importando em quantias gigantescas que se contam em trilhões de dólares. Com a hipoteca aconteceu o mesmo. Esse instituto de direito privado permitiu que muitas pessoas adquirissem um bem dando como garantia um imóvel. Esta garantia, mais tarde passou a ser o próprio imóvel adquirido enquanto a dívida era paga. Mas também aqui começou a ciranda. Grandes empresas se especializaram no “comércio” das hipotecas, vendendo casas em massa sem cuidar da capacidade financeira do comprador.
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(CONTINUAÇÃO) Os créditos de hedge também se banalizaram e já aqui a ciranda engrossou em proporções incontroláveis. É o que se denominou de “subprime”, ou seja, o crédito geralmente destinado à habitação com risco significativamente alto. Como foi indiscriminadamente oferecido, houve a quebra das famosas empresas Freddie Mac e Fannie Mae. Por ela pagarão inocentes e pecadores, pois há muitos credores hipotecários que cumprem pontualmente a dívida, assumida proporcionalmente a seu patrimônio. Como o financiamento hipotecário está intimamente vinculado a bancos, aqui também a “tsunâmi” financeira os atingiu. Daí o colapso de bancos internacionalmente conhecidos, tais como o Lehman Brothers e a seguradora AIG, salva com dinheiro público por receio de risco sistêmico. Como esta ampla crise não se deve a fatores naturais  nenhuma enchente ou abalo sísmico aconteceu  nem muito menos a fatores violentos provocados pelas guerras ou epidemias, tudo foi gerado pelo próprio homem e a ele devem ser creditadas as conseqüências. O fato é uma grande lição histórica. Mostra que os milagres da globalização, como todo milagre, tem seu lado negativo na mesma proporção. Pode ser o bem e o mal em sua força máxima. Tudo dependerá do modo como é conduzida e assimilada nos diferentes sistemas nacionais. Também mostra a contradição de nossa época pós-moderna: enquanto pregamos a globalização, que nos beneficia com a convivência entre os povos, abertura de fronteiras, universalização da ciência e do conhecimento humano, produção em série de bens, também nos traz problemas difíceis tais como a imigração, a dominação econômica do capital especulativo, o terrorismo e a criminalidade internacional, através de quadrilhas altamente sofisticadas. A crise aí está. Quais seus efeitos para o mundo e como vai ser superada, ninguém sabe. Marx teve razão parcia. O capitalismo vive em crises. Só que estas não provocam sua destruição. Morrem aqui, mas renascem adiante. O que nos espera? Sair desta e esperar a próxima. (Antônio Álvares da Silva-Professor titular da Faculdade de Direito da UFMG)
A REVOLTA DOS CACHORROS
A REVOLTA DOS CACHORROS Era uma noite como outra qualquer. O governador mostrou a bunda no programa eleitoral, o papa foi eliminado do Big Brother 9, a Lei Áurea foi revogada numa votação por emeio na novela das oito e a ciência comprovou a existência de Adão e Eva. Nessa noite calma, sem que ninguém soubesse por quê, os cachorros se recusaram a sair de casa. Todo o mundo estranhou. Os cachorros levavam a vida latindo e passeando, tinham médicos, psicólogos, um padrão de vida igual ao da classe média espanhola. Por que a revolta? No intervalo da transmissão do jogo, um tradutor canino revelou: os cachorros exigiam equiparação aos jogadores de futebol, incluindo patrocinadores e contratos na Europa. Houve um debate na TV, onde o presidente foi contra e os cachorros decidiram parar de latir e de abanar o rabo. A tristeza que tomou conta do país foi tamanha que na manhã seguinte a Lei do Cão foi aprovada no Congresso e o presidente renunciou. Agora, para cada filho as famílias têm que ter um cachorro. Num lance de ousadia, uma rede de tevê botou um boxer como apresentador do jornal da noite e o ibope disparou. E os cachorros ampliaram sua participação na sociedade, são delegados, senadores, magistrados, médicos. Apresentam programas de auditório, têm partido político, lugares nos cinemas e nos ônibus, boates especializadas, ioga... E que grandes economistas se revelaram! Com os cachorros pudemos finalmente exercer a diversidade, que se mostrara impossível com os chatos dos orientais e dos africanos. É verdade, muitos cães começam a dar problemas. Brigam nas boates, usam drogas, formam gangues que assaltam e mordem. Se envolvem em casos de doping e corrupção. E a candidatura de um labrador à presidência tem causado grande polêmica. Mas a civilização canina está apenas começando. E não há como negar que estamos todos muito, muito felizes. CESAR CARDOSO é escritor, dá a patinha e finge de morto.
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