(CONTINUAÇÃO) Os créditos de hedge também se banalizaram e já aqui a ciranda engrossou em proporções incontroláveis. É o que se denominou de “subprime”, ou seja, o crédito geralmente destinado à habitação com risco significativamente alto. Como foi indiscriminadamente oferecido, houve a quebra das famosas empresas Freddie Mac e Fannie Mae. Por ela pagarão inocentes e pecadores, pois há muitos credores hipotecários que cumprem pontualmente a dívida, assumida proporcionalmente a seu patrimônio. Como o financiamento hipotecário está intimamente vinculado a bancos, aqui também a “tsunâmi” financeira os atingiu. Daí o colapso de bancos internacionalmente conhecidos, tais como o Lehman Brothers e a seguradora AIG, salva com dinheiro público por receio de risco sistêmico. Como esta ampla crise não se deve a fatores naturais nenhuma enchente ou abalo sísmico aconteceu nem muito menos a fatores violentos provocados pelas guerras ou epidemias, tudo foi gerado pelo próprio homem e a ele devem ser creditadas as conseqüências. O fato é uma grande lição histórica. Mostra que os milagres da globalização, como todo milagre, tem seu lado negativo na mesma proporção. Pode ser o bem e o mal em sua força máxima. Tudo dependerá do modo como é conduzida e assimilada nos diferentes sistemas nacionais. Também mostra a contradição de nossa época pós-moderna: enquanto pregamos a globalização, que nos beneficia com a convivência entre os povos, abertura de fronteiras, universalização da ciência e do conhecimento humano, produção em série de bens, também nos traz problemas difíceis tais como a imigração, a dominação econômica do capital especulativo, o terrorismo e a criminalidade internacional, através de quadrilhas altamente sofisticadas. A crise aí está. Quais seus efeitos para o mundo e como vai ser superada, ninguém sabe. Marx teve razão parcia. O capitalismo vive em crises. Só que estas não provocam sua destruição. Morrem aqui, mas renascem adiante. O que nos espera? Sair desta e esperar a próxima. (Antônio Álvares da Silva-Professor titular da Faculdade de Direito da UFMG) |