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DANTAS, O DANTESCO: PAU NO C.U. DOS PREJUDICADOS NO C.. DO MUNDO COM HEMORRÓIDAS |
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DANTAS, O DANTESCO, DO PARAÍSO FISCAL AO INFERNO ASTRAL. O banqueiro Daniel Dantas começou como fabricante de sacolas de papel e, por meio de contatos com políticos como ACM, FHC e José Dirceu, montou um império financeiro bilionário. Depois da ação contra ele da Polícia Federal, transformou-se num recluso. Aos 53 anos, o engenheiro, economista e banqueiro Daniel Valente Dantas é um homem sem amigos. Passa o dia trancafiado na sede do banco Opportunity, no 28º andar da avenida presidente Wilson, 231, no centro do Rio de Janeiro. De lá, só sai depois das dez da noite para retornar à sua casa, um apartamento de cobertura na avenida Vieira Souto, no bairro de Ipanema. Antes, ele fazia esse trajeto num Citroen. Porém agora anda num carro blindado, com chofer, seguido de outro, com guarda-costas. Solitário sequer vai à praia consta que sua diversão predileta é entrar num simulador de ausência de gravidade e ficar flanando na sala de seu apê. A esposa Maria Alice mora nos Estados Unidos com a única filha do casal. Dantas controla todos os negócios em que se mete, ainda que mantenha o nome longe da relação de sócios. Não cumprimenta ninguém a não ser a irmã Verônica, o ex-cunhado Carlos Rodemburg, a sócia Maria Amália Coutrim, Arthur Carvalho e Dório Ferman, ex-companheiro dos tempos de estudante. Magro, altura mediana, além dos olhos azuis nota-se a proeminente careca. Vestido quase sempre de camisa azul marinho, esse vegetariano não bebe, não fuma, não joga odeia futebol, ainda que tenha investido dinheiro no Bahia não gosta de escola de samba nem de música clássica, não perde tempo com teatro, cinema e em rodas de cultura. Os quadros que tem Portinari, Di Cavalcanti foram adquiridos como investimento. Acredita-se que Dantas deve possuir patrimônio líquido seu e em nome de laranjas que ultrapassa um bilhão de dólares. Nascido em Salvador, filho de empresário de classe média da indústria têxtil Luiz Raymundo Tourinho Dantas e de Nícia Valente Dantas, aos 17 anos ele foi dono de uma fábrica de sacolas de papel. Depois teve um posto de gasolina e trabalhou com distribuição de cerveja. Formado engenheiro civil, virou funcionário da Construtora Odebrecht. Aos 24 anos foi para o Rio de Janeiro cursar economia na Fundação Getúlio Vargas, onde se tornou amigo de Mário Henrique Simonsen, o ministro da ditadura militar e ex-integrante do Conselho de Administração do Citibank, que o tinha como o “mais brilhante aluno da escola”. Assim, ele foi apresentado ao banqueiro Antônio Carlos Almeida Braga, o Braguinha, dono da companhia de seguros Atlântica-Boavista, mas tarde comprada pelo Bradesco. Em 1986, Dantas se uniu aos filhos de Braguinha, Kati e Luís Antônio, donos do banco Icatu, do qual se tornou o principal executivo. Ascensão. Ex-consultor do Partido da Frente Libeal (PFL, antecessor do Democratas, DEM), Dantas foi protegido do falecido senador Antônio Carlos Magalhães que o convidou para trabalhar no extinto Banco do Estado da Bahia. Antes de o presidente Fernando Collor de Melo tomar posse chamou o “menino prodígio”, que defendeu: o confisco cambial, mesma saída proposta por Zélia Cardoso de Melo, que viria a ser a ministra da Fazenda, e Ibrahim Eris, ex-presidente do Banco Central. Dantas contou a Braguinha, que mandou caminhões da Brinks pegar toda a grana disponível no Icatu e depositá-la no cofre da empresa.
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DANTAS, O DANTESCO: PAU NO C.U. DOS PREJUDICADOS NO C.U. DO MUNDO COM HEMORRÓIDAS |
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(CONTINUAÇÃO PRIMEIRA) Batata: Braguinha fez festa com a informação privilegiada. Dantas ganha então carreira solo ao embolsar 70 milhões de dólares de indenização de Braguinha e funda o Banco Opportunity, em 1994. Quem gerenciava os negócios era a irmã Verônica. Ela, como quase todos os mais de 200 funcionários do banco, chega às oito da manhã, mas não tem hora de ir embora. Em julho deste ano, o Opportunity detinha R$ 19.291 bilhões de mais de mil clientes, entre pessoas físicas e jurídicas, o 17º lugar entre os fundos de investimento do país. Durante a passagem dos tucanos pela Presidência da República, percebendo que o país caminhava para a privatização de empresas públicas, Dantas montou consórcios e participou ativamente do processo. Em 1994, o Citibank escolheu o ainda pequeno Banco Opportunity para gerir os próprios recursos do banco americano na onda de privatização brasileira. A ascensão do “rei do grampo” tem início em 1998, quando o ex-ministro da Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e o então presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social são pilhados combinando como iriam beneficiar Daniel Dantas no leilão da Telebrás. Até 2005, o Opportunity reunia o controle de um terminal no porto de Santos, pela empresa Santos Brasil Participações, a Companhia do Metrô do Rio de Janeiro e chegava às empresas de telefonia fixa e celular Telecentro-Sul, Telemig e a Amazônia Celular. Na prática, Dantas podia xeretar qualquer telefone fixo de 11 estados brasileiros e do Distrito Federal e os celulares da região Amazônica. Uma auditoria realizada na Brasil Telecom, em 2005, revelou que Dantas montou uma “sala de escuta”, um andar abaixo da presidência da empresa, em Brasília. Concomitantemente, Dantas administrava lotes de ações dos fundos de pensão de algumas empresas estatais entre as quais a Previ, do Banco do Brasil; Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal e de sócios estrangeiros, contra quem acabou, em 1999, na Justiça; na telefonia fixa estava em guerra com a Telecom Italia; na telefonia móvel, o fogo era contra o grupo canadense TIW, que investira 380 milões de dólares na parceria, mas não podia indicar nem um funcionário, finalmente, os fundos queriam mais transparência na aplicação dos recursos e começaram a fustigar os poderes de Dantas que contra-atacou: um dia depois de reunir-se com Dantas, FHC trocou o comando adversário de Dantas nos fundos. Fastígio. No governo Lula, Dantas se aproximou do ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolatto. Ao mesmo tempo contratou a empresa de consultoria norte-americana Kroll, fundada por gente da CIA e especializada em espionagem, para esquadrinhar a vida do então chefe da Secretaria de Comunicação (e Gestão Estratégica) da presidência da República, ministro Luiz Gushiken. Em meio à encarniçada luta do Opportunity pelo controle das empresas de telecomunicações do país, durante a CPI dos Correios a idéia de Dantas era montar um dossiê com as supostas contas no exterior de Gushiken, Lula e outros petistas afinal publicado por Veja, em 2006; seu tiro saiu pela culatra: o dossiê mostrou-se peça de ilusionismo. Então, Dantas aproveitou-se do canal que utilizara em 1998, quando bancou parte da campanha tucana ao goveno de Minas Gerais, do candidato Eduado Azeredo. |
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DANTAS, O DANTESCO: PAU NO C.U. DOS PREJUDICADOS NO C.U. DO MUNDO COM HEMORRÓIDAS |
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(CONTINUAÇÃO SEGUNDA) A Telemig e a Amazônia celular irrigavam os cofres da agência de propaganda DNA que repassava dinheiro aos candidatos por meio de Marcos Valério, a pedido de Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha tucana, e Clésio Andrade, presidente da Confederação Nacional dos Tansportes (CNT). Calcula-se que o “valerioduto tucano” movimentou 150 milhões de reais. Era usar a mesma receita tucana com os aloprados do PT. Deu certo: em alguns meses a cúpula petista estava toda dominada. Dantas contratou por quase R$ 8 milhões o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, amigo de Dirceu, e por R$ 1 milhão, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, para defendê-lo no caso de espionagem da Kroll. Ainda tentou patrocinar a Gamecorp por 100 mil reais mensais, empresa de jogos eletrônicos de computador da qual é sócio Fábio Luíz Lula da Silva, filho do presidente. Ao tomar conhecimento da jogada de Dantas, Lula proibiu a aproximação do filho com o empresário. De quebra, Dantas contratara como representante legal da Brasil Telecom, por US$ 2 milhões, o advogado Roberto Mangabeira Unger, atual ministro de Assuntos Estratégicos, para tratar das ações judiciais contra a Telecom Italia e os fundos de pensão Previ, Funcef e Petros. Jogam ainda na equipe de Dantas bancas de renome Barbosa, Musnich e Aragão; Nélio Machado, Gordilho, Pavis Ribeiro e Phil Korologos até advogados de porta de cadeia cuja função é o tráfico de influência no Parlamento, na Justiça e no Executivo. Queda. No mês passado, Dantas foi duas vezes preso pelo delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, durante a Operação Satiagraha, e duas vezes solto pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Acusado de liderar uma organização criminosa envolvida na evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, gestão fraudulenta, uso de informação privilegiada, formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção ativa, ele e outras 16 pessoas estiveram no xilindró, incluindo o chamado megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Nahas e Dantas conversam a valer por meio de telefones celulares habilitados na Europa, para dificultar as escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal o telefone de Nahas é cadastrado em Paris e têm encontros pessoais esporádicos. Os dois combinam que, oficialmente, estarão de mal um do outro, espalhando essa versão para a imprensa brasileira forma ideal, acham ambos, de continuarem fazendo negócios em sintonia. Nahas, então, fala com Roberto Dávila, da TVE Brasil, Mino Carta, da Carta Capital, Elvira Lobato e Guilherme Bastos, da Folha de S.Paulo, e, com Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, entre os dias 5 e 7 de novembro de 2007, sempre se posicionando como inimigo de Daniel Dantas. Um outro negócio de Nahas envolve indiretamente até o nome do governador paulista José Serra. Nahas diz ao doleiro Miguel Jurno Neto ter sido avisado com antecedência por Serra da “privatização” da Companhia Energètica do Estado de São Paulo, a Cesp. Miguel responde que poderia ganhar uma “grana preta”, aproximadamente 80 milhões de reais, aproveitando-se da informação privilegiada. Já o ex-prefeito Celso Roberto Pitta do Nascimento, vulgo “Maluquinho” nas escutas da Polícia Federal, é apanhado pedindo dinheiro a Nahas e aos doleiros Carmine Enrique, Lúcio Bolonha Funaro, Marco Ernest Matalon e Miguel Jurno Neto. |
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