Faz tempo que seu artigo foi publicado, Kotscho. Mas, depois de alguns dias, resolvi voltar e reler o conteúdo da coluna. Fiquei duplamente pasmado. Primeiro, surpreso com a grande maioria de comentários a favor da regulamentação estatal da publicidade brasileira, seguindo o mesmo caminho de outras democracias, só que do primeiro mundo. Isso reflete uma impressão geral do consumidor brasileiro a respeito da publicidade. Minha outra surpresa, essa triste, foi perceber a pobreza da sua análise a respeito do tema. Logo você, com cujas idéias venho me identificado nos últimos tempos.
Como um outro de seus leitores bem afirmou, devemos parar de nos esconder por trás de um medo hoje irracional, sim, de uma suposta censura ditatorial. Não tenho nenhum dado estatístico a respeito dos milhões que a publicidade movimenta anualmente no Brasil, mas não é preciso dar nome a uma coluna virtual para compreender que por trás do Conar e dessa súbita movimentação contra as ditas ameaças à liberdade de expressão comercial estão os mesmos interesses multi-milionários que, globalmente, controlam uma dezena de gigantes da propaganda.
Aliás, permita-me voltar um pouco e perguntar se só para mim esse conceito - essa tal de liberdade de expressão comercial - soa completamente absurdo, insano, disparatado?
Infelizmente, assim como países como China e Colômbia, também não podemos nos gabar de exportar somente aquilo que temos de melhor. Nem só de café é feita a Colômbia, nem de talentosos e inovadores cineastas é a Nova China, muito menos de futebol é feito o Brasil. Infelizmente, os cargueiros que espalham pelo mundo nossos melhores jogadores também carregam a cocaína colombiana, os piratas chineses e nossa nem tão tipo exportação publicidade. Enfim, fica a lição de que nem tudo que exportamos é o que temos de melhor.
Agora, sinceramente me perdoe e permita que lhe pergunte para quando devo aguardar uma nova edição de sua coluna - uma nova edição menos entusiástica, menos inflamada, menos tola e, quem sabe, mais consistente e argumentativa a respeito do tema?
E Deus nos proteja dessa tal de liberdade (de expressão comercial)! |