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FEOZES DD E FHC: PRIVATIZAÇÃO DA REPÚBLICA
VEREMOS O QUE VEREMOS. Vimos foi o primeiro habeas corpus concedido pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. Seqüência rapidíssima: nova prisão em razão da tentativa de suborno e novo habeas corpus. As cautelas de Danny Kaye: VEREMOS O QUE VEREMOS, confirmavam sua conveniência. Tortuosos são os caminhos da Justiça e, estamos apenas no começo de um longo processo, e que outros hão de vir. Dantas perdeu a vantagem de ser primário e os riscos para ele cresceram bastante. Mal passamos, porém, das escaramuças iniciais de uma refrega imponente, adequada à relevância da personagem. Ouvi, por exemplo, de figuras das mais importantes do País, faz cerca de três anos, que a abertura dos discos rígidos do Opportunity capturados pela Operação Chacal “pararia o Brasil por dois anos”, ou, literalmente, “acabaria com a República”. Não se tratava de João, o Evangelista, e não creio que se recomende imaginar o galope dos cavaleiros do Apocalipse. Nem por isso Dantas deixa de ser admirável como símbolo do capitalismo à brasileira, vertente peculiar do chamado capitalismo selvagem que desaguou na adoração do bezerro de ouro da vez, o mercado. A interpretação precipuamente nativa contempla a redução progressiva e inexorável do papel do Estado enquanto mama-lhe nas tetas, como os gêmeos Romulo e Remo aproveitaram-se da loba mitológica. E já que o Estado é representado por homens, mama nas tetas da política contingente. Protegido por Antonio Carlos Magalhães, depois da primeira e bem sucedida experiência do banco Icatu, do qual saiu em circunstâncias pouco claras, foi banqueiro do PFL e em seguida do PSDB. Sintomático um seu jantar no Palácio da Alvorada do inquilino Fernando Henrique, ao qual se seguiu, no espaço de dois dias, a demissão das diretorias dos fundos de pensão (PRIVADOS) ligados à Brasil Telecom, ordenada pelo príncipe dos sociólogos. Não menos certo e sabido o empenho do tucanato, que se apossara do BNDES, a favor do Opportunity na privatização do Sistema Telebrás, pois “ele está com os italianos”. Tempo em que Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende e Persio Arida referiam-se a FHC como a “bomba atômica”, a ser acionada em caso de resistências aos projetos. Com a ascensão de Lula ao poder, não haveria de faltar a aproximação ao PT e é do conhecimento do mundo mineral que a silhueta de Dantas se alastra por trás do escândalo chamado mensalão. A sentença do juiz De Sanctis não carece de qualidade literária e penetração psicológica na definição da personalidade do banqueiro, com seu currículo semeado de golpes, subornos, operações de espionagem e por aí afora. Nesta condenação, o Brasil não é o pioneiro. Foi precedido pelas Justiças de Cayman, Nova York e Londres. Por aqui, o andamento é de lentidão suprema. Não esqueçamos que a Operação Chacal, a da captura dos discos rígidos, remonta a mais de quatro anos atrás e até hoje deu em nada. Afirma-se que os discos foram abertos. Seu conteúdo, no entanto, é desconhecido pela opinião pública. Em outras ocasiões, precipitei-me ao supor que o nó estivesse na iminência de ser desatado. Desta vez recorro a Danny Kaye: “VEREMOS O QUE VEREMOS”. (Mino Carta)
DD E FHC: PRIVATIZAÇÃO DA REPÚBLICA
DD e FHC: PRIVATIZAÇÃO DA REPÚBLICA “UMA INDIVIDUALIDADE ÍMPAR, IRRACIONAL”. Antes de detalhar a pena, o magistrado teceu na sentença um rico perfil psicológico do banqueiro. Antes de descrever a sentença, o juiz Fausto De Sanctis teceu um longo arrazoado sobre a personalidade do banqueiro Daniel Dantas. Eis o que captou o magistrado a respeito do orelhudo: “O acusado não cessa: insiste, alardeia, ilude e intimida, e mais, desvia o foco, ações típicas de alguém que deseja a qualquer custo encerrar a presente ação penal, com a destruição da ‘Operação Satiagraha’, que provocou muita reflexão deste juízo para a tomada de qualquer decisão”. “Alem do irrenunciável sentimento de desprezo pelas instituições públicas brasileiras, revela, outrossim, intensidade de intenção dolosa na prática de crime contra a administração pública, devidamente demonstrada pela seqüência de fatos voltados à realização delitiva”. “Precavendo-se contra a ação do Estado, disponibilizou quantias representativas de dinheiro em espécie, que nenhum acusado foi ainda capaz de solicitar a restituição, dado o mundo de irracionalidade em que vivem”. “Mostrou-se de uma individualidade ímpar e irracional, egocêntrico, que se desvincula dos parâmetros sociais para satisfação de seu interesse em ver terminada uma determinada operação da Polícia Federal, mediante o oferecimento e pagamento de dinheiro a autoridades”. “Suas qualidades ou habilidades mais marcantes não se lastreiam na preservação de valores de ética ou correção, apesar de alegar em juízo pautar-se por sentimentos mais nobres”. “Sem hesitar, acredita no dinheiro, não como instrumento legítimo para a circulação de bens, mas como algo determinante de suas ações ou omissões, bem como de todas as pessoas que passam por seu caminho. Nítida a contradição entre o que faz e diz acreditar”. “Parafraseando Friedrich Nietzsche, tornou-se aquilo que verdadeiramente é. Revela-se, pois, de personalidade desajustada”.
RESULTADO DA PRIVATIZAÇÃO DA REPÚBLICA ATRAVÉS MODELO MAFIOSO TRIUNFANTE NO ÂMBITO ESTATAL - UM
RESULTADO DA PRIVATIZAÇÃO DA REPÚBLICA ATRAVÉS MODELO MAFIOSO TRIUNFANTE NO ÂMBITO ESTATAL - UM UM PESADELO, CREIO EU. Ocorre-me um enredo estranho, peculiar, não sei se li algum dia e vem da memória, ou de um sonho. É um conto, eu diria, não simplesmente policial. Nele a complexidade é notável, atinge profundidade igual à alma de um país. O entrecho começa pela descrição do seu protagonista, que o autor batiza Ezequiel. Por trás de olhos azuis carregados de estupor à beira da insegurança, ele é obcecado pelo impulso irredutível da acumulação. Dinheiro e poder. Determinado, audacioso, singra a vida ao sabor de casos de corrupção e falcatruas de alto bordo, com o adendo de capilares operações de escuta telefônica. Uma investigação policial apura-lhe o conjunto da obra e indicia Ezequiel. Nos seus escritórios, apreende, inclusive, discos rígidos que, tudo indica, resumem suas aventuras e apontam parceiros. Nada acontece, com a inestimável contribuição de certa juíza da Suprema Corte, cenho de governanta de castelo escocês e carente de lábios. Ela impede com argumentos “pueris” (o adjetivo é do autor) a abertura de tais discos. Desde o momento das privatizações das telefônicas e que tais por parte do governo do Pássaro Misterioso, episódio que passou a ser conhecido como “A Bandalheira Supimpa”, a história de Ezequiel não somente divide a polícia, mas também, e sobretudo, atinge os mais altos escalões da política, para tornar-se epicentro da luta intestina pelo poder. E chega até a embrenhar-se, com tocha e cordas, pelas cavernas dos humores nacionais. Quanto a esta incursão nas entranhas de emoções e pendores da nação, o autor será mais explícito mais adiante. Depois de indiciado, passam-se quatro anos, e no ínterim Ezequiel prossegue nas suas investigações. Entre outras façanhas, entrega à revista de maior tiragem do País um dossiê falso de contas no exterior de figurões variados, a começar pelo Presidente da República. Segundo o autor, trata-se de uma manobra urdida por Ezequiel para medir o grau da sua influência. Regozija-se ao cabo: tudo passa na mais alva das nuvens.
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