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Fábio
sithan@ig.com.br
Acho bastante improvável que qualquer país faça manobras ou treinamentos militares junto à fronteira do Brasil sem que o Estado Maior das Forças Armadas fique sabendo com antecedência. Afinal, ao menor sinal de risco os militares são treinados para morder não para afagar quem viole nossas fronteiras. Há, entretanto, uma substancial diferença entre o que o EMFA sabe e o que os militares querem que nós saibamos. Se admitirmos a hipótese de que a Holanda comunicou as autoridades militares brasileiras previamente, precisamos perguntar porque os milicos permitiram este clima de histeria? Penso, porque a natureza infelizmente me fez um ser pensante, que a histeria beneficia os militares de três maneiras: a) o medo de violação das fronteiras ou de uma (improvável) invazão holandesa faz a população civil lembrar que precisa valorizar os militares; b) em razão do apoio público aos militares o pode sentir-se comando à vontade para pressionar as autoridades civis e, interferir, assim, em assuntos que não lhes dizem respeito; c) em razão do medo a população pode ser convencida a aumentar o soldo e comprar as muambas que os militares acreditam nescessitar ou pretendem adquirir por causa de comissões que serão pagas pelos fabricantes de armamentos. Os holandeses são famosos por sua falta de pontaria. Mesmo que tivessem pontaria já foram chutados do Brasil uma vez e certamente o seriam novamente. O sigilo militar pode gerar todo tipo de especulação. O que nos garante que não foi o própro EMFA que chamou os militares holandezes para passear no Suriname a ajudá-los politicamente dentro do nosso país?
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