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Olavo de Carvalho
A afirmação de Moore de que, se a Suprema Corte não suspendesse a recontagem manual exigida por Gore, a vitória teria sido deste último “em todos os cenários possíveis”, é só uma lenda alimentada pela maior máquina publicitária de todos os tempos. Pois a recontagem foi feita pelos jornais USA Today, Miami Herald e New York Times, insuspeitos de cumplicidade com qualquer “vasta conspiração direitista”, no mínimo, por serem peças vitais daquela mesma máquina. E os três, lamentando muito, chegaram à mesma conclusão: nos votos recontados a vantagem de Bush era maior ainda.
Olavo de Carvalho
Em suma, não há absolutamente nada que justifique a acusação, exceto o ódio que Moore sente por Bush e o intuito expresso de impedir sua reeleição. Esse exemplo não é um caso isolado, mas amostra típica do modus operandi do maior charlatão cinematográfico de todos os tempos. O procedimento repete-se nas outras 38 MENTIRAS DO FILME analisadas, em muitas outras apontadas até pelos entrevistados do filme, e é o mesmo no porcumentário mooreliano anterior, Bowling for Columbine. Neste, a culpa pelo massacre feito por dois jovens psicopatas numa escola é atribuída magicamente à proximidade de uma fábrica de armas, cuja presença teria dado mau exemplo aos garotos. SÓ QUE A FÁBRICA NÃO ERA DE ARMAS, ERA DE SATÉLITES. Em contrapartida, o verdadeiro motivo do crime – O ÓDIO ANTICRISTÃO, que os próprios garotos registraram em vídeo – é omitido por completo no filme. —————————————————————————————— O mesmo procedimento de falsificação total e descarada forma a estrutura do enredo principal de Farenheit 9/11, constituído de uma teoria da conspiração segundo a qual os atentados ao World Trade Center e ao Pentágono teriam resultado de uma trama sinistra urdida por George W. Bush e a família Bin Laden. O simples enunciado já deveria bastar para evidenciar o nível intelectual ginasiano – ginasiano de Columbine – da especulação de Moore, cuja premiação em Cannes se explica menos pelo anti-americanismo psicótico imperante na França do que pelo fato de que 3 membros do júri têm contratos pessoais com a Miramax, financiadora da produção.
Olavo de Carvalho
Mas, se até as hipóteses mais extravagantes têm direito a uma investigação, a teoria de Farenheit 9/11 já nasceu morta. A prova essencial da conspiração, além da inculpação pelas velhas ligações comerciais das famílias Bush e Bin Laden, é apresentada no filme da seguinte maneira: dois dias após os atentados, a Casa Branca concedeu um visto de saída para que parentes do terrorista, então em viagem pelos EUA, voltassem para a Arábia Saudita, escapulindo de ser investigados pelos serviços de inteligência americanos. Horror! Traição! Perfídia do bushinho, diria o Arnaldo Jabor. Para realçar o significado eminente da prova obtida, Moore pergunta: Que diriam de Bill Clinton os republicanos se, logo após o atentado em Oklahoma (1995), liberasse para viagem ao exterior a família do terrorista Timothy McVeigh? Respondo eu: seria de fato um escândalo, pois os parentes de McVeigh eram cidadãos americanos, e não estrangeiros protegidos por sua embaixada como os Bin Ladens. Mas, se todo o mal do argumento fosse uma pergunta idiota, seria um alívio.
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